Depois de praticamente dois meses sem fazer aulas e indo com pouca frequência à academia, deu pra perceber como podemos sim, perder alongamento, agilidade, memória etc. Essas esporádicas férias, inclusive dos treinos em casa, da dança me fazem refletir no quanto a prática faz sim diferença. Mais vale fazer uma aula por semana na correria, meio cansada, fugida dos afazeres domésticos, trabalho, filho, marido e cachorros do que fazer aula nenhuma com a ilusão de que estou descansando um pouquinho e que isso não fará diferença quando eu resolver voltar. Quando volto às aulas reparo que no fundo dou à dança toda a importância do mundo.
Outro dilema que não sei se acorre a muitas praticantes não profissionais: faço aulas só de DV, fora outras modalidades, há no mínimo 6 anos. Tenho vontade de assumir alguma responsabilidade em relação à dança, fazer uma turma avançada, formação pra professora, atender ao convite de uma amiga e passar algum conhecimento que adquiri pra umas amigas dela, uma vez que a minha prof foi pro Líbano, voltou, saiu da escola e agora eu que estava toda acomodada, terei de tomar uma atitude.
Pra não parar, faço aulas com a prof. que veio substituí-la, e que tem um trabalho respeitado apesar de muito jovem.
Ao mesmo tempo, olho todas aquelas roupas de apresentação das quais não quero me desfazer de jeito nenhum. Vou dançar novamente com elas? Aonde? Procurarei trabalho em algum restaurante? Embora me ache bonitona ainda, o povo quererá me assistir se já não sou tão jovem quanto a maioria das meninas do mercado?
Acho que o foco no papel de mãe em tempo integral tomo o lugar da bailarina. E penso que dei um brake por muito muito tempo de dançar mais, assim como parei de escrever. Por isso saem esses textos truncados, escritos às pressas, sem releitura, entre uma solicitação e outra, com vários erros de ortografia e repetição de palavras. É uma constatação, não estou reclamando da maternidade. Foi uma opção e quero fazer o negócio direito, e acho que na maioria das vezes consigo.
Sabem aquela escritora ganhadora de Nobel que escreveu sobre a condição da mulher, a Doris Lessing? Ela abandonou família e dois filhos pequenos porque sabia que não ia conseguir produzir o que tinha de escrever tocando uma família direito, muito menos na época em que vivia. Muito homem faz isso e ninguém dá a menor pelota, acha normal.
Entendo-a perfeitamente. Foi corajosa e fez o que tinha de ser feito.
Não faria o mesmo porque sinto que sou mais mãe do que qualquer outra coisa. E a bailarina para onde irá? E a pessoa que escreve, então?
Esses questionamentos surgiram da aula de véus ao notar que perdi por segundos a consciência corporal. Achava que estava realizando um tipo de movimento com os braços ao aprender um movimento novo, mas na verdade o que fazia era outra coisa...
Tomei isso como positivo, um desafio. Parece que estava tirando uma longa soneca e de repente acordei.
Descrição de meus estudos, reflexões e dúvidas acerca de assuntos dançantes, com eventuais ruídos literários...
quinta-feira, 1 de abril de 2010
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
Dançar exige exclusividade, ou não?
Dançar combina com trabalhar fora? Desde que não pude fazer mais meus horários por deixar de trabalhar em casa, não tive tempo de me dedicar tanto à dança, ensaiar, pesquisar coisas novas, estudar, montar coreografias. Como disse para a minha prof: "Não dá para fazer amostra na aula, estou zoada". O que para dançar quer dizer pouca energia, o que determina a fluência e pulsação dos movimentos, alongamento comprometido, músculos tensos e paradoxalmente flácidos, sem pique para estudar novidades, nem tempo para a academia, o que faz uma grande diferença, principalmente aos 40 e poucos.
Meu HD cerebral e tempo útil ocupado com coisas do lar e trabalho... como me dá nos nervos, não ter tempo suficiente para me dedicar às coisas da dança. Posso deixar de ir ao cinema, de ver mostras de arte, mas da dança eu não desisto, embora há tempos não veja nada que não seja DV, nem o balé da cidade fui ver. O que me valeu muito foi a primeira apresentação da minha filha no balé. A prof dela montou uma bonita e criativa coreo sobre o chorinho Odeon, de Ernesto Nazareth. As meninas dançaram com acessórios e mostraram uma desenvoltura impressionante para baby class. Isso prova que a filha é minha mesmo. Foi lindinha a danada, superconcentrada, e no improviso de agradecimentos mostrou-se graciosa, feliz, espontânea. Um senso de responsabilidade precoce ao ficar firme até as fotos, embora cansada, para desabar de sono no carro, durante a volta. Observo-a curiosa a fim de garantir que essa vontade parta dela, sem pressão da minha parte, somente o estímulo quando necessário.
Chego a ficar quase feliz toda vez que saio de um emprego e penso: agora trabalhando em casa poderei me dedicar mais à dança. O que em parte é verdade, é também equívoco, pois em casa se trabalha mais. Quando trabalho fora tenho a nítida impressão de que estou lá para descansar, pois o trabalho mais a administração da casa in loco requer tanta energia!
Como disse antes, estava triste porém quase feliz por ter sido descadeirada do último trabalho, mas outra editora já me ligou, o mercado editorial está fervilhando louco por mão de obra para a qual não tenha de pagar direitos trabalhistas... Dai fiquei feliz, mas quase triste de novo.
Mas já decidi dançar no fim do ano zoada mesmo. Que Terpsícore seja compreensiva me ajude a superar a falta de dedicação que normalmente tenho.
Oh, my!, sinto que estou queixosa e cansada. É fim de ano, sei, e queria férias, mesmo sem ter sequer um emprego decente...
Meu HD cerebral e tempo útil ocupado com coisas do lar e trabalho... como me dá nos nervos, não ter tempo suficiente para me dedicar às coisas da dança. Posso deixar de ir ao cinema, de ver mostras de arte, mas da dança eu não desisto, embora há tempos não veja nada que não seja DV, nem o balé da cidade fui ver. O que me valeu muito foi a primeira apresentação da minha filha no balé. A prof dela montou uma bonita e criativa coreo sobre o chorinho Odeon, de Ernesto Nazareth. As meninas dançaram com acessórios e mostraram uma desenvoltura impressionante para baby class. Isso prova que a filha é minha mesmo. Foi lindinha a danada, superconcentrada, e no improviso de agradecimentos mostrou-se graciosa, feliz, espontânea. Um senso de responsabilidade precoce ao ficar firme até as fotos, embora cansada, para desabar de sono no carro, durante a volta. Observo-a curiosa a fim de garantir que essa vontade parta dela, sem pressão da minha parte, somente o estímulo quando necessário.
Chego a ficar quase feliz toda vez que saio de um emprego e penso: agora trabalhando em casa poderei me dedicar mais à dança. O que em parte é verdade, é também equívoco, pois em casa se trabalha mais. Quando trabalho fora tenho a nítida impressão de que estou lá para descansar, pois o trabalho mais a administração da casa in loco requer tanta energia!
Como disse antes, estava triste porém quase feliz por ter sido descadeirada do último trabalho, mas outra editora já me ligou, o mercado editorial está fervilhando louco por mão de obra para a qual não tenha de pagar direitos trabalhistas... Dai fiquei feliz, mas quase triste de novo.
Mas já decidi dançar no fim do ano zoada mesmo. Que Terpsícore seja compreensiva me ajude a superar a falta de dedicação que normalmente tenho.
Oh, my!, sinto que estou queixosa e cansada. É fim de ano, sei, e queria férias, mesmo sem ter sequer um emprego decente...
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sábado, 26 de setembro de 2009
Ainda a polêmica
Estou meio atrasada com o assunto, eu sei. Momentos de desânimo e desgosto toda vez que passava por esse blog abandonado. Com trabalho em tempo integral, freelas, casa para administrar e filhos (minha filha humana e meus cachorros) para dar atenção, não me deixavam nenhum tempo para blogar nem escrever nada nestes últimos meses. Quando deitava não tinha nem coragem de dizer “Jesus me abana”. A frase deve ser conhecida geral e talvez fazer parte de alguma novela, que eu não sei qual é, porque me confesso uma alienada para atualidades pop nacionais. Só leio notícias cabeçonas, política nacional e internacional, ciências e eventualmente notícias bizarras sobre sobre alguma celebridade que não interessam a ninguém. Sou nerd assumida, rsrs. Pois não tive nem tempo de responder a um e-mail que a Lulu Sabongi me enviou (e creio que a várias ou a todas as alunas da escola de que ela é dona e na qual faço aulas). Li a missiva via e-email e fiquei bege num primeiro momento, indignada num segundo e cautelosa num terceiro.
É claro que não é lá muito confortável falar sobre um assunto que diretamente não me diz respeito, mas o caso foi aberto a público pela própria protagonista, por isso creio que o que ela menos queria era abafar o caso. O que deve representar para a pessoa um lugar que ela viu nascer, trabalhou juntamente com outras pessoas para construir e da qual de repente se vê banida?
O que é profundamente lamentável nesse caso, mais do que tudo no meu ponto de vista, é que um lugar que representou o sonho na vida de muita gente tenha se tornado palco para um episódio talvez final e triste para uma história tão bonita. Será que eles (o ex-casal) têm noção do que a Casa de Chá representou para tanta gente? O sustento de várias famílias de pessoas que ali trabalharam, momentos de encantamento e beleza; para pessoas que, como eu, conhecem e frequentam o lugar desde os tempos da faculdade, e bota tempo nisso... A realização dos sonhos de tantas moças e mulheres que lá se tornaram bailarinas, hoje com um trabalho consistente e reconhecido. Para mim também a escola da Casa de chá foi muitas vezes refúgio para os momentos de estresse de um dia de trabalho difícil, do trânsito, das enxaquecas. Quando deitava nas almofadas fofas para relaxar antes de começar as aulas, ficava olhando para os tecidos leves que adornavam o teto e sentia que ali era o lugar que eu realmente devia estar naquele momento, transportava-me para um mundo de leveza e harmonia, completados depois pelas aulas, que melhoravam até mesmo meus enjoos da gravidez.
Então a gente via a Lulu se apresentando ora na casa, ora nos vídeos didáticos. Para mim ela era uma personagem das Mil e uma noites, dançando era, e é, um ser fora de padrões estabelecidos para este ou aquele conceito de dança. Em aulas, das poucas que fiz com ela, devido às suas muitas viagens internacionais, aprendia em um dia, movimentos que demorava meses para aprender de outra forma, de repente ela dava uma simples dica e como num passe de mágica, “puf”, o movimento saía. “Ah, mas se eu soubesse que era assim tão simples...” Isso era a didática dela, um dom de ensinar...
O momento em que passei a ver com cautela o episódio de ela ter sido, de certa forma, “demitida” da Casa que ajudou a construir, me deu impressão de ser um assunto muito pessoal, coisa de casal, lance de família que trabalha junto nos negócios e acaba misturando tudo, sentimento, business, whatever...
No entanto, já que assunto é publico no meio DV, que é uma arte que pratico há anos, embora não trabalhe com ela, e talvez por isso mesmo me sinta à vontade para comentar, achei importante expor minha opinião. A gente lê tanta coisa... de pessoas que nem sequer conhecem de um modo mais próximo, vejam que não disse íntimo, as pessoas envolvidas... Há pessoas que metem o pau na Casa de chá, nas bailarinas, na administração, na Lulu, no Jorge, por despeito ou por não concordarem mesmo com o método de trabalho deles. Ora, então que criem um lugar e o administrem conforme queiram; não gosta do jeito que a Lulu dança porque ela “dá muito giros”, como já li por aí? Ora, vá dançar melhor do que ela, com uma técnica que você aprove e tenha como boa e certa, como até já vi também acontecer. Só que em geral não é o que acontece. A galera adora falar mal de quem faz, mas fazer que é bom...
Independentemente de tudo o que já li sobre o caso, ela fez o que achou certo fazer, cada um reage aos revezes da vida a seu modo. Se ela chutou o pau da barraca, fez o que achou melhor. Se ele permaneceu na dele, fez o que achou certo fazer. Não cabe a mim julgar essas atitudes Quero mais é vê-la dançando, dando aulas, palestras, passando o conhecimento que tem. Outra coisa: também não acho que as bailarinas atuais da casa de chá sejam péssimas, careçam de técnica, porém na arte há muito de interpretação subjetiva e quase tudo depende do ponto de vista. Já vi gente que quer ser profissional de DV dizer que odeia folclore, e outras, como eu, que amam, mas não têm tempo de praticar, oh, a vida, apesar do reveses e polêmicas a vida continua...
É claro que não é lá muito confortável falar sobre um assunto que diretamente não me diz respeito, mas o caso foi aberto a público pela própria protagonista, por isso creio que o que ela menos queria era abafar o caso. O que deve representar para a pessoa um lugar que ela viu nascer, trabalhou juntamente com outras pessoas para construir e da qual de repente se vê banida?
O que é profundamente lamentável nesse caso, mais do que tudo no meu ponto de vista, é que um lugar que representou o sonho na vida de muita gente tenha se tornado palco para um episódio talvez final e triste para uma história tão bonita. Será que eles (o ex-casal) têm noção do que a Casa de Chá representou para tanta gente? O sustento de várias famílias de pessoas que ali trabalharam, momentos de encantamento e beleza; para pessoas que, como eu, conhecem e frequentam o lugar desde os tempos da faculdade, e bota tempo nisso... A realização dos sonhos de tantas moças e mulheres que lá se tornaram bailarinas, hoje com um trabalho consistente e reconhecido. Para mim também a escola da Casa de chá foi muitas vezes refúgio para os momentos de estresse de um dia de trabalho difícil, do trânsito, das enxaquecas. Quando deitava nas almofadas fofas para relaxar antes de começar as aulas, ficava olhando para os tecidos leves que adornavam o teto e sentia que ali era o lugar que eu realmente devia estar naquele momento, transportava-me para um mundo de leveza e harmonia, completados depois pelas aulas, que melhoravam até mesmo meus enjoos da gravidez.
Então a gente via a Lulu se apresentando ora na casa, ora nos vídeos didáticos. Para mim ela era uma personagem das Mil e uma noites, dançando era, e é, um ser fora de padrões estabelecidos para este ou aquele conceito de dança. Em aulas, das poucas que fiz com ela, devido às suas muitas viagens internacionais, aprendia em um dia, movimentos que demorava meses para aprender de outra forma, de repente ela dava uma simples dica e como num passe de mágica, “puf”, o movimento saía. “Ah, mas se eu soubesse que era assim tão simples...” Isso era a didática dela, um dom de ensinar...
O momento em que passei a ver com cautela o episódio de ela ter sido, de certa forma, “demitida” da Casa que ajudou a construir, me deu impressão de ser um assunto muito pessoal, coisa de casal, lance de família que trabalha junto nos negócios e acaba misturando tudo, sentimento, business, whatever...
No entanto, já que assunto é publico no meio DV, que é uma arte que pratico há anos, embora não trabalhe com ela, e talvez por isso mesmo me sinta à vontade para comentar, achei importante expor minha opinião. A gente lê tanta coisa... de pessoas que nem sequer conhecem de um modo mais próximo, vejam que não disse íntimo, as pessoas envolvidas... Há pessoas que metem o pau na Casa de chá, nas bailarinas, na administração, na Lulu, no Jorge, por despeito ou por não concordarem mesmo com o método de trabalho deles. Ora, então que criem um lugar e o administrem conforme queiram; não gosta do jeito que a Lulu dança porque ela “dá muito giros”, como já li por aí? Ora, vá dançar melhor do que ela, com uma técnica que você aprove e tenha como boa e certa, como até já vi também acontecer. Só que em geral não é o que acontece. A galera adora falar mal de quem faz, mas fazer que é bom...
Independentemente de tudo o que já li sobre o caso, ela fez o que achou certo fazer, cada um reage aos revezes da vida a seu modo. Se ela chutou o pau da barraca, fez o que achou melhor. Se ele permaneceu na dele, fez o que achou certo fazer. Não cabe a mim julgar essas atitudes Quero mais é vê-la dançando, dando aulas, palestras, passando o conhecimento que tem. Outra coisa: também não acho que as bailarinas atuais da casa de chá sejam péssimas, careçam de técnica, porém na arte há muito de interpretação subjetiva e quase tudo depende do ponto de vista. Já vi gente que quer ser profissional de DV dizer que odeia folclore, e outras, como eu, que amam, mas não têm tempo de praticar, oh, a vida, apesar do reveses e polêmicas a vida continua...
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quinta-feira, 27 de agosto de 2009
Aprendendo turquices, ou que aposentadoria que nada!

Sempre fico com uma energia incomum uma semana após uma festa em que danço, e caiu como uma luva a aula desta semana em que a nossa prof, ao anunciar uma misteriosa aula de chão em que deveríamos levar protetores de joelhos, resolveu nos ensinar umas turquices, o que para mim quer dizer aqueles movimentos de chão que as bailarinas turcas utilizam muito, com redondos e ondulações quase deitada ou deitada mesmo, usando o apoio dos braços, ou apoiadas no calcanhar ou joelhos, com giros com apoio dos joelhos ou sentada, etc. Fiquei toda empolgada, porque tirei minhas antigas joelheiras de futebol da época do street dance do armário, que devem ter uns 15 anos mais ou menos. Naquela época dos malabarismos do street e do jazz eu vivia toda roxa, porque os movimentos eram mais vigorosos e violentos mesmo. A prof e coreógrafa do grupo em eu dançava dizia que eu era muito delicada e meu street era "muito jazz". Esse comentário seria motivo de desespero pra muitos que dançavam street, mas era coisa que eu adorava ouvir, pois o jazz sempre foi uma paixão minha. Hoje, para dança do ventre acho que sou delicada de menos e tenho certa dificuldade com movimentos menos expansivos, mas vou levando tudo como posso. Os corpos têm diferentes estruturas e modos de expressão e depois que compreendi e assimilei isso, minhas neuras diminuíram muito.
Pra finalizar a aula, uma coreografia que usa muitos passos de jazz. Fico tão feliz de lembrar dos bons tempos do jazz, que apesar de véia, meu fôlego parece o de uma adolescente. Até a prof me olhava com ar algo pasmo e espantado. Parecia que eu tinha tomado algum energizante, rsrsrs. Com diz a música do Swing out sisters "I'm the same girl, who You use to know. Yes, I am, yes I am". E eu que após ver as fotos de qualquer evento em que danço sempre penso em me aposentar da dança! Passam por essa cabecinha oca coisas do tipo: "Ah tá na hora de fazer só umas aulas de academia, um alongamentozinho, uma yoga" Rapá... que aposentadoria que nada! Nunca me senti tão mais no pique do que agora! Vou dançar até o povo falar: "Olha lá que fofa aquela vovozinha dançando!"
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sábado, 8 de agosto de 2009
Festa na Shangrilá!!!!!

Dia 15 de agosto (próximo sábado). O convite é 25,00, com direito a buffet de comidinhas árabes e bebidinhas.
Além destas atrações do banner (esses meninos são um luxo de bailarinos), euzinha também dançarei lá...
Em grupo: uma percussão de samba egípcio, do Sayed Balaha, um egípcio que adora ritmos brasileiros. Um flamenco árabe. As coreos são da Juli, minha prof.
Um solo. Ai... essa coreo é minha, pessoal, particular, rsrsrs
Vamos lá, vai ser divertidoooo!!!!
(Dando dois cliques na imagem dá pra ver o banner maior.)
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sexta-feira, 17 de julho de 2009
Por que amo meus professores

Amo meus professores, até os que me fizeram sofrer, tanto os da escola, do mundo acadêmico, mas principalmente os da dança. Uma delas, hoje até famosinha na mídia, que me deu experiência de palco e me mostrou que eu era capaz de dançar, foi a que mais me fez comer o pão que o diabo amassou, mas sou grata a ela assim mesmo, porque o melhor nem sempre é passar a mão na cabeça da pessoa pra que ela melhore, no entanto isso me serviu de modelo de pessoa da qual eu devo me afastar assim que tomo nota da semelhança de atitudes. Aff, ninguém precisa sofrer tanto pra fazer uma coisa de que gosta. Tenho medo de coreógrafos que gritam tipo bravos. Não é só em filmes como Chorus Line e outros que eles existem. Estão por toda a parte. Sempre que tem ensaio geral de escolas cada vez que escuto um gritão de professor de outros grupos estremeço toda na cadeira como se fosse comigo. Aff! Ninguém merece! Mãs... comecei este post para falar bem dos mestres e não é que estou fazendo justamente o contrário?! Vamos lá, o professor em geral é um sujeito esforçado, ganha pouco, isso todo mundo sabe. Sei porque já dei aulas, tudo bem que era de redação e literatura, mas a realidade é parecida. Gasta-se muito tempo preparando as aulas, lida-se com as dificuldades alheias, em certos casos há que se tirar água de pedra e não é possível agradar a gregos e troianos. Claro que há compensações, a gente se envolve, há bons retornos, etc., mas o(a) professor(a) de dança tem de lidar com tantas variáveis: é o ego dos outros, o dele próprio, como é o caso de professoras que amam dançar e acham que é um favor tremendo estar perdendo os minutos preciosos do tempo delas com toscas iniciantes, que todo aluno iniciante em geral é tosquinho mesmo, assim como igualmente o são as coreografias desse nível, mas isso faz parte do show, o que é que se vai fazer? Perseverar mais um ano ou dois para subir mais um degrauzinho. Já tive também uma professora assim. Mas achava ela tão bonita, tão bonita e tinha uns braços flamencos maravilhosos que eu adorava admirar.
Além disso, as profs têm de ser maquiadoras, consultoras de moda, figurinistas, produtoras de shows, psicólogas-babás, consultoras sentimentais, fotógrafas, e ouvir cada pergunta, mas cada pergunta, que não sei de onde sai tanta falta de bom senso. É claro que o professor está na classe para responder questões teóricas sobre as quais supostamente ele deve ter conhecimento, mas não dá para bombardear o coitadinho o tempo todo, afinal também estamos lá para dançarrrr, e depois não custa nada pesquisar um pouco, não é mesmo?
Adoro ser aluna de qualquer coisa. As aulas clássicas daquele tipo em que o sujeito que sabe muito discorre sobre um tema com propriedade na pós eram uma terapia. Ficar ali sentada só absorvendo conhecimento. As aulas de dança são o que preciso para estar viva, para não adoecer, e para um monte de outras coisas úteis e vivificantes. E chova ou faça sol, gripado ou são o professor tem de estar ali. Tem de gostar muito mesmo, por isso amo meu professores. Já me pediram e falaram (leigos totais em dança é claro) pra eu dar aulas de dança no espaço deles x ou y, mas como sou encanada só conseguiria pensar em algo do tipo se fizesse um curso de formação para professores e tirasse DRT. Ai, que preguiça! Não do preparo das aulas em si, que imaginar como seria é até empolgante, mas da responsabilidade enorme que isso envolve. Mais ou menos como ser mãe: As pessoas veem aquela coisa fofa e saltitante e acham uma graça, mas quem não tem filho não imagina o que é o backstage dessa produção. Como bailarina não vou me profissionalizar. Até já pensei sobre, mas acho que não nessas alturas... gosto mesmo é de ser aluna e me apresentar com responsabilidade, mas sem obrigação.
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sábado, 4 de julho de 2009
É tempo...

É tempo de recordar quem sou, recomeçando onde parei, na redação sobre o balão de são João e da árvore de natal que caiu sobre o meu irmão. Sonhar vaticínios sobre as águas e outras coisas. Por que parei? Foi porque quis, mas agora quero outra vez. Também pintar a casa, abrir as janelas, caiar os muros. Lavar o chão da cozinha. Secar ervas: manjericão, hortelã, sete-sangrias, para cozinhar e também tomar banhos com elas. Revolver a terra dos vasos, cuidar bem de todas as plantinhas. Transplantar as mudas. Esquecer de deixar tudo arrumado, nunca deixar a casa impecável. Não tentar estar impecável. Estar descabelada ao menos aos domingos. Sorrir para desconhecidos. Dar a mão para alguém e sentir o calor da pele alheia. Abraçar, sentir cheiros. Retomar leituras. Ir a uma festa de casamento familiar e encantar um estranho. Perambular pela casa de madrugada seminua no escuro e espiar a lua da varanda por entre frestas de arranha-céus e pegar ela com as mãos. Acender tranquila o incenso de maçã verde e meditar com meus lobinhos. Caminhar à noite como os lobos. Afiar as garras. Correr perigo. Tomar chuva e arrepiar de frio. Cozinhar e encher a casa, o andar, o prédio e o quarteirão de um cheiro irresistível. Dançar com outras mulheres, dançar muito, em casa, sozinha, até o limite da exaustão. Preparar a roupa e dançar em público. Dançar com alma, com o vento, esquecer da vida enquanto o que mais se faz é viver nesse momento. Cozinhar uma sopa de letras, misturar travessões, pontos e vírgulas e preparar-se para criar um novo mundo em noites menstruadas. Deixar florescer a velha sábia, a jovem obscena e a menina malcriada. Adormecer em sonos de outono e acordar entre folhas douradas.
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